Como transformei minha dor em alegria


Quando engravidei, não imaginava que havia um mundo paralelo nos hospitais com atendimento neonatal e pediátrico, cheios de mães lutando diariamente para manter sua sanidade mental e a esperança de que seus filhos – a maioria recém-nascidos – voltariam para casa. A fé, muitas vezes, já não contempla nem voltar para casa e ter uma vida “normal”: voltar com seus filhos VIVOS já é uma grande vitória.

Talvez eu tenha pago ainda mais caro por conta de minha inocência de não saber que, mais frequentemente do que gostaríamos de imaginar, os bebês e as crianças sofrem e muito. Sofrem porque nasceram com problemas congênitos, sofrem porque nasceram com síndromes ou sofrem porque se acidentaram. E sofrem suas mães, seus pais, familiares e amigos.

Na época da internação de minha filha, meu esposo leu alguma pesquisa que mostrava como os traumas e medos dos pais de UTI se assemelham àqueles dos soldados em guerra. Na batalha, eu não conseguia reconhecer isso. Hoje, seis anos depois, olho para trás e admito que, sim, participei de uma guerra. O cansaço e a frustração que ainda carrego devem ser, realmente, comparáveis aos de um soldado em guerra que não entende muito bem o motivo de estar ali lutando – para mim, toda guerra é sem sentido.

Ao fim da guerra para a qual fui convocada sem querer, voltei ferida de morte e sem minha filha. De alguma forma consegui dar um significado à minha batalha porque tive a dádiva de conhecer uma mulher tão generosa que, mesmo enfrentando sua própria guerra diária, resolveu fazer o bem. Foi da minha hoje amiga-irmã Fernanda Zylberstajn que nasceu a ideia do que se tornou a Associação Tempo de Brincar.

Depois de quase quatro anos de ONG, posso dizer com segurança que a Tempo de Brincar já extrapolou nossa experiência pessoal e foi abraçada por voluntários que, na maioria dos casos, nem passaram pela mesma experiência de ter um filho em longo período de internação, mas entendem que é possível fazer algo para aliviar a dureza dos dias de quem enfrenta essa batalha, tornando o ambiente hospitalar mais humano e até feliz.

O que de mais precioso descobri com a Tempo de Brincar é que nossa experiência importa e nossas dores podem ser transformadas em um combustível potente composto de gentileza e alegria para minimizar o sofrimento de quem está enfrentando aquilo pelo qual nós já passamos pessoalmente. Festas, presentes, brincadeiras e artesanato são o meio de fazer nosso combustível chegar às famílias com suas crianças hospitalizadas.

E, como experiência importa, convido você, pai, mãe, tia, tio, avó, avô ou mesmo profissional da área de saúde que cuida de crianças internadas a compartilhar com a gente sua história – sua guerra pessoal. Escrever ou falar nos ajuda a assentar os sentimentos e ler sua experiência pode ajudar tanta gente a se sentir menos sozinha sentada em uma cadeira de hospital.

Envie sua história para contato@tempodebrincar.org.br , juntamente com seu telefone para, em caso de dúvidas, entrarmos em contato. Sua história será selecionada e pode ganhar destaque em nosso site.

Renata Costa

(Jornalista e uma das fundadoras da Tempo de Brincar)

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